Celulares lançados há apenas dois ou três anos já estão ficando para trás: a xiaomi encerra o envio de qualquer atualização de software para 48 modelos das linhas Xiaomi, Redmi e POCO, deixando esses aparelhos oficialmente “congelados” na versão atual do sistema.
Para quem comprou um desses modelos confiando em alguns anos de uso tranquilo, a decisão pesa: sem novos patches de segurança, aumenta o risco de brechas no Android serem exploradas no dia a dia, especialmente em apps de banco, redes sociais e compras online. E é aí que a notícia de que a xiaomi encerra o suporte ganha relevância imediata para o consumidor brasileiro.
Quais celulares Xiaomi, Redmi e POCO deixam de receber atualização?
A lista oficial reúne cerca de 48 aparelhos que não receberão mais nenhum tipo de atualização de software, seja de sistema, seja de segurança.
A Xiaomi atualizou a relação de dispositivos que saem do ciclo de suporte e incluiu não só modelos da marca principal, mas também da Redmi e da POCO. Segundo a própria empresa, a maioria desses celulares foi lançada há cerca de dois a três anos, período em que, segundo a política da fabricante, já teriam recebido todos os updates prometidos.
Isso significa que, a partir de agora, esses aparelhos não devem mais ganhar novas versões da interface, correções de bugs via OTA ou pacotes de segurança mensais/trimestrais. Eles continuam funcionando normalmente, mas “como estão” hoje.
Modelos populares no Brasil, como linhas Redmi e POCO muito vendidas em varejistas online e importados por marketplaces, estão entre os afetados. É o caso de celulares de famílias conhecidas, como Redmi Note e POCO X, que fizeram bastante sucesso justamente por oferecer bom custo-benefício na época do lançamento.
Se você quiser confirmar se o seu aparelho está ou não na lista de descontinuação, o melhor caminho é consultar a página de suporte da própria fabricante, como o site oficial global da Xiaomi, que costuma reunir essas listas de dispositivos com fim de suporte.
Por que a Xiaomi encerra o suporte depois de só 2–3 anos?
Porque a estratégia da marca é concentrar recursos nos modelos mais recentes, limitando o tempo de suporte dos intermediários e de parte dos aparelhos mais antigos.
No comunicado, a Xiaomi indica que “a maioria” dos celulares afetados foi lançada há aproximadamente dois a três anos. Em outras palavras, a empresa considera que já entregou o pacote de atualizações prometido quando esses aparelhos chegaram ao mercado.
Isso revela uma política de ciclo de vida relativamente curto para muitos dispositivos do ecossistema Xiaomi, Redmi e POCO. Em vez de manter uma fila longa de modelos recebendo patches, a marca prefere enxugar o portfólio de suporte e direcionar a equipe de software para os lançamentos mais recentes, que são os que ainda trazem retorno comercial mais direto.
Na prática, o consumidor que segura o mesmo celular por mais tempo acaba sentindo o impacto dessa decisão. Dois a três anos podem ser suficientes para quem troca de smartphone com frequência, mas soam pouco para quem compra um intermediário pensando em usar por quatro ou cinco anos.
Esse contraste fica ainda mais evidente em 2026, quando algumas fabricantes de Android vêm ampliando a quantidade de anos de updates em linhas específicas, enquanto aqui a xiaomi encerra o suporte para dezenas de modelos que ainda são plenamente usáveis em desempenho bruto.
O que muda na segurança do Android quando o suporte acaba?
O celular continua funcionando, mas fica cada vez mais exposto a falhas que não serão corrigidas.
Com o fim das atualizações, esses smartphones deixam de receber correções para novas brechas descobertas no Android e na própria interface da Xiaomi. A partir desse ponto, qualquer vulnerabilidade encontrada e corrigida em versões mais recentes do sistema não chegará aos aparelhos da lista.
Isso não significa que o telefone vai “quebrar” da noite para o dia, mas sim que o nível de risco aumenta com o tempo. Quanto mais meses passam sem patch de segurança, maior a chance de existir alguma falha explorável por malware, sites maliciosos ou aplicativos suspeitos.
O próprio texto original destaca que os donos desses modelos precisam “redobrar a atenção para navegar em sites”, justamente porque novas brechas devem ser descobertas no Android, e esses aparelhos não serão protegidos contra elas via atualização oficial.
Para o uso real no Brasil, isso pesa especialmente em:
- acesso a apps de banco e carteira digital, muito visados por golpistas;
- compras em sites e marketplaces, onde você digita dados de cartão;
- uso intenso de redes sociais e mensageiros, alvos comuns de links maliciosos.
Em resumo: o risco não é imediato, mas é cumulativo. Quanto mais tempo você ficar com um aparelho sem suporte, maior a atenção necessária com o que instala e por onde navega.
Como usar um Xiaomi sem suporte com o máximo de segurança possível?
É possível continuar usando o aparelho, mas exige mais cuidado diário do que um modelo ainda atualizado.
Se você está com um dos 48 celulares que saíram da lista de suporte, algumas atitudes ajudam a reduzir o risco, mesmo sem novas atualizações chegando:
- Evite instalar APKs de fontes desconhecidas ou grupos de WhatsApp/Telegram;
- Mantenha apenas apps realmente necessários, baixados da loja oficial;
- Desconfie de links recebidos por mensagem, e-mail ou redes sociais;
- Use senhas fortes e ative autenticação em duas etapas nos serviços principais;
- Faça backup regular de fotos e arquivos importantes em nuvem ou PC.
Essas medidas não substituem um patch de segurança, mas ajudam a mitigar parte do risco enquanto você decide se troca de smartphone ou não. Em cenários de uso mais simples — ligações, WhatsApp básico, redes sociais moderadas —, o aparelho ainda pode atender bem, desde que você esteja consciente da limitação de suporte.
Se o telefone é usado por alguém mais vulnerável a golpes, como crianças ou idosos, o ideal é configurar o aparelho para restringir instalações de apps fora da loja e, se possível, acompanhar de perto o uso.
Vale a pena continuar com um celular em que a Xiaomi encerra as atualizações?
Depende do seu perfil: para uso leve e sem dados sensíveis, ainda pode compensar; para quem usa banco e trabalho no mesmo aparelho, a troca começa a fazer mais sentido.
Se o seu smartphone está na lista de fim de suporte e ainda dá conta do recado em desempenho, bateria e câmera, você não é obrigado a trocar imediatamente. Ele continua funcionando, roda seus apps e mantém a mesma experiência de hoje.
O ponto crítico é o equilíbrio entre risco e custo. Se você usa o celular principalmente para:
- chamadas, mensagens básicas e redes sociais;
- consumo de conteúdo (vídeos, música, notícias);
- jogos casuais e tarefas simples;
talvez ainda faça sentido segurar o aparelho por mais um tempo, redobrando os cuidados de segurança que citei antes.
Agora, se o seu smartphone concentra:
- apps de banco, corretora, PIX e carteira digital;
- acessos a e-mail de trabalho, documentos sensíveis ou arquivos corporativos;
- uso intenso de links e downloads vindos de muitos grupos e contatos;
a ausência de atualizações pesa bem mais. Nesses casos, a decisão da Xiaomi de encerrar o suporte em dois a três anos pode ser o empurrão que faltava para planejar a troca por um modelo mais novo, com alguns anos de updates pela frente.
Outro ponto a considerar é o valor de revenda: quanto mais tempo você ficar com um aparelho oficialmente sem suporte, menor tende a ser o interesse de compradores informados, o que pode derrubar o preço na hora de vender ou usar em troca.
Para quem esses Xiaomi, Redmi e POCO ainda fazem sentido em 2026?
Esses aparelhos ainda fazem sentido para quem quer segurar o investimento por mais um tempo e tem uso simples, mas deixam de ser boa escolha para quem busca segurança e longevidade.
Se você já tem um dos 48 modelos e não quer ou não pode trocar agora, dá para continuar usando com cautela, desde que o aparelho siga atendendo ao que você precisa no dia a dia. Nesse cenário, eles ainda podem ser uma boa opção como:
- celular secundário para viagens ou trabalho;
- aparelho para filhos, com limitações de apps e acesso;
- dispositivo de mídia (música, vídeos, streaming em casa).
Por outro lado, se você está pensando em comprar um desses modelos usados ou recondicionados em 2026, a situação muda. Saber que a xiaomi encerra totalmente o suporte nessas unidades significa assumir, desde já, um aparelho sem qualquer garantia de atualização futura, o que reduz a relação custo-benefício no médio prazo.
Minha leitura como jornalista que acompanha o mercado é direta: esses celulares ainda podem quebrar um galho por mais algum tempo, mas não são mais escolhas inteligentes para quem se preocupa com segurança, apps de banco e uso profissional. Se o seu orçamento permitir, faz mais sentido buscar um modelo que ainda esteja dentro do ciclo oficial de atualizações, mesmo que seja de uma linha um pouco mais simples.
No fim, a decisão da Xiaomi de encerrar o suporte em tantos modelos relativamente recentes reforça um recado importante para 2026: antes de comprar qualquer smartphone, não olhe só para ficha técnica e preço. Entenda também por quanto tempo ele deve receber atualizações — isso pode fazer toda a diferença na vida útil real do seu próximo celular.







