Nem a própria linha Ultra da marca tinha rompido essa barreira até agora. O Vivo X300 Ultra sai da China pela primeira vez e leva ao mercado global uma proposta rara em celulares premium: priorizar fotografia com escolhas que fogem do padrão mais comum do setor, especialmente na câmera principal de 35 mm e no uso de 200 MP tanto na principal quanto na telefoto.
Para o consumidor brasileiro, isso importa por dois motivos. Primeiro, porque mostra uma mudança real de ambição da fabricante no topo do mercado em 2026. Segundo, porque ajuda a medir o que pode ou não fazer sentido por aqui, já que o aparelho começou a aparecer oficialmente em países europeus com preço equivalente a R$ 7.700, enquanto a Jovi já atua no Brasil com modelos como o Jovi V70.
Por que o vivo x300 ultra sai da China e chama tanta atenção?
Porque não se trata só de expansão geográfica. A estreia global do Vivo X300 Ultra também vem acompanhada de uma proposta de câmera pouco comum entre os tops de linha.
Os modelos Vivo X200 Ultra e Vivo X100 Ultra ficaram restritos ao mercado chinês, mesmo sendo vistos como referências em fotografia mobile. Agora, o Vivo X300 Ultra rompe esse histórico e sinaliza que a marca quer disputar espaço global em uma faixa onde imagem ainda pesa muito na decisão de compra.
O ponto mais interessante está na escolha da distância focal principal. Em vez de seguir os 23 mm que dominam os smartphones, o aparelho adota 35 mm. Na prática, isso tende a entregar enquadramentos mais naturais e com menos distorção, algo que costuma agradar quem gosta de fotos de rua, retratos ambientais e cenas urbanas sem aquele visual excessivamente aberto.
Na minha leitura, esse é o detalhe que separa marketing de intenção real de produto. Não é só aumentar resolução. É mexer no jeito como a foto sai da câmera principal. E isso abre caminho para a discussão mais importante: o conjunto fotográfico em si.
O que a câmera do Vivo X300 Ultra entrega no uso prático?

A resposta curta é simples: o Vivo X300 Ultra tenta se diferenciar pela combinação de resolução alta com uma abordagem mais fotográfica.
A câmera principal usa sensor Sony LYT-901 de 1/1,12 polegada e 200 MP, com distância focal equivalente a 35 mm. Já a telefoto também chega a 200 MP e trabalha em 85 mm, com revestimento Zeiss T* e Super Blue Glass para reduzir reflexos em cenas com iluminação difícil.
Esse conjunto chama atenção porque não aposta em um único número de impacto. Há uma lógica por trás. Os 35 mm da principal devem favorecer imagens mais equilibradas, enquanto os 85 mm da telefoto entram em uma faixa muito útil para retratos e aproximações sem exagero. É um arranjo que conversa mais com quem gosta de fotografar do que com quem só quer uma ficha técnica chamativa.
Outro diferencial está nos acessórios. A marca oferece extensores Zeiss opcionais de 200 mm e 400 mm, acoplados magneticamente ao aparelho. Não é um item para todo mundo, mas mostra que o Vivo X300 Ultra sai com uma proposta modular voltada a quem realmente quer explorar distâncias maiores.
Para quem acompanha testes de câmera em celulares, também vale monitorar plataformas de referência como o DxOMark, que ajudam a comparar desempenho fotográfico em condições controladas. Só que, nesse caso, o apelo do modelo parece estar mais na experiência de uso e menos em pontuação isolada. E o restante da ficha técnica sustenta essa ambição.
Como ficam desempenho, bateria e suporte do aparelho?
O conjunto é de topo de linha e acompanha a proposta premium. O Vivo X300 Ultra combina processador atual, bateria grande e promessa longa de atualizações.
Entre os destaques confirmados estão o Snapdragon 8 Elite Gen 5, bateria de 6.600 mAh, carregamento de 100 W com fio e 40 W sem fio. A tela tem 6,8 polegadas e brilho de até 4.500 nits. O aparelho ainda conta com certificações IP68 e IP69 contra água e poeira, Android 16 sob a interface OriginOS 6, cinco anos de atualizações do sistema e sete anos de pacotes de segurança.
- Processador Snapdragon 8 Elite Gen 5
- Bateria de 6.600 mAh
- Carregamento de 100 W com fio e 40 W sem fio
- Tela de 6,8 polegadas com até 4.500 nits
No uso real, a combinação de bateria ampla com carregamento forte ajuda a sustentar a proposta de celular para foto e vídeo, dois cenários que drenam energia rápido. E a política de atualização longa pesa bastante para um aparelho dessa faixa de preço. Isso é ainda mais relevante quando a marca tenta ganhar confiança fora da China, onde o consumidor costuma exigir suporte mais previsível.
Resta então a pergunta mais prática para quem está olhando o mercado de 2026: quanto custa entrar nessa brincadeira.
Da vitrine europeia ao bolso brasileiro, o hype se sustenta?

Hoje, o Vivo X300 Ultra faz sentido para quem coloca câmera no topo da lista e aceita pagar caro por isso. Já para quem busca custo-benefício, o valor inicial é um obstáculo claro.
A pré-venda começou em 16 de abril em Áustria, Alemanha, Hungria e Suíça. Até 23 de abril, quem encomendar o modelo recebe o kit de vídeo profissional, vendido separadamente por R$ 2.935 em conversão direta. O preço de lançamento do celular ficou em R$ 7.700, também em conversão direta.
Esse valor coloca o aparelho em território de nicho, mesmo no segmento premium. Só que o pacote faz mais sentido quando se observa o que ele tenta entregar: câmera principal de 200 MP com sensor de 1/1,12 polegada, telefoto de 200 MP, foco claro em fotografia e acessórios que ampliam a experiência.
No Brasil, a presença recente da Jovi com o Jovi V70 mostra que a marca já começou a construir terreno local. Esse modelo intermediário chamou atenção por bateria de 7.000 mAh e câmera de 200 MP, mas o Vivo X300 Ultra está em outra conversa. Ele mira quem quer um celular com linguagem de câmera dedicada.
Minha avaliação é direta: se a prioridade é fotografia mobile acima de quase tudo, o Vivo X300 Ultra sai na frente como uma das estreias globais mais interessantes de 2026. Se o foco for equilíbrio de preço, aí a espera por movimentos da marca no Brasil continua sendo a escolha mais racional.







